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Alimentos não seguros durante a gravidez
01 Setembro 2016
Durante a gravidez, as alterações no
sistema imunitário tornam-na mais vulnerável às doenças de origem alimentar, e
é natural que tenha de mudar alguns hábitos para poder disfrutar deste período
em segurança.
Uma
alimentação equilibrada, variada e completa é essencial para uma gravidez
saudável, mas é importante que conheça os alimentos e substâncias que deve
limitar ou mesmo banir totalmente da sua alimentação neste período. Por
exemplo, os alimentos crus podem conter uma variedade de bactérias, vírus e
parasitas, enquanto bebidas como o álcool podem comprometer o desenvolvimento
cognitivo da criança.
Em
entrevista à Nove Meses, a nutricionista Maria Ana Carvalho identificou os
alimentos potencialmente perigosos durante a gravidez e deixou conselhos sobre
os principais cuidados na preparação e confeção dos alimentos, para que possa
fazer escolhas mais seguras e saudáveis.
O
primeiro inimigo a evitar durante a gravidez é o álcool. Uma vez que não existe
uma dose mínima segura, o consumo de bebidas alcoólicas é totalmente
desaconselhado durante este período.
Mesmo
o consumo moderado e ocasional de cerveja, vinho ou licor oferece riscos, já
que o álcool pode atravessar a barreira placentária e entrar na corrente
sanguínea do feto, interferindo no crescimento e desenvolvimento do bebé.
Em
casos extremos, o consumo de álcool pode dar origem ao síndrome alcoólico
fetal, que compromete o desenvolvimento da criança, sobretudo ao nível
cognitivo.
A
grávida deve limitar o seu consumo de cafeína a 200 mg por dia. Para saber o
que esta quantidade representa nos seus consumos do dia-a-dia, pode guiar-se
pela informação sobre os teores de cafeína que consta na Roda dos Alimentos.
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Uma
das principais recomendações da nutricionista Maria Ana Carvalho passa por
limitar o consumo de alimentos ricos em açúcar de absorção rápida, como os
doces, os bolos, ou os refrigerantes. «A glucose – comumente designada por
açúcar - é rapidamente absorvida pelo bebé e pode ter efeitos nefastos se
consumida em excesso. Normalmente, recomendo só para ocasiões especiais e
preferencialmente a seguir às refeições, para que a absorção seja mais lenta».
Os
cuidados na preparação e confeção dos alimentos são especialmente importantes
durante a gravidez, pois deles depende a segurança da grávida e do bebé no que
respeita a doenças de origem alimentar como a toxoplasmose, a salmonelose e a
listeriose.
A
toxoplasmose transmite-se através da ingestão de um parasita denominado
toxoplasma gondii, presente no solo, na água ou em alimentos contaminados. No
Homem, a toxoplasmose é normalmente assintomática ou associada a sintomas
ligeiros.
No
entanto, no contexto de uma gravidez, pode ter consequências graves para o
feto. Segundo Maria Ana Carvalho, este risco exige cuidados acrescidos em termos
de higiene alimentar. «Se o solo estiver contaminado com o parasita, todos os
alimentos que estiverem em contacto com o solo e sejam consumidos crus podem
aumentar o risco de infeção», frisa.
Dentro
do rol de alimentos potencialmente transmissores de toxoplasmose estão a carne
crua ou mal cozinhada, e os frutos e hortícolas crus. «As grávidas não podem
comer carne crua ou mal cozinhada, porque os animais podem ter ingerido
oocistos do parasita e consequentemente serem veículos de transmissão do parasita»,
esclarece a nutricionista.
O consumo de peixe
cru e fumado, de marisco cru e sushi também não é aconselhado durante a
gravidez pelo risco de estar contaminado com bactérias que podem pôr em risco o
feto. Outra das questões muitas vezes colocadas pelas grávidas prende-se com o
consumo de fiambre e outros produtos de charcutaria e salsicharia. Segundo
Maria Ana Carvalho, «é importante que a grávida veja sempre no rótulo do
alimento se este é fumado, e se for, deve rejeitá-lo». O fiambre que é cozido no
forno pode ser consumido, desde que não tenha muito tempo de prateleira.
A
toxoplasmose não apresenta sintomas típicos, como a varicela, por exemplo. Pode
manifestar-se como uma gripe ligeira e passar relativamente despercebida. É por
isso que deve ser alvo de uma vigilância apertada, ao longo da gravidez,
através de exames regulares específicos.
No
início da gravidez, o médico prescreve um exame de rastreio da toxoplasmose,
com vista a detetar se o organismo da grávida já esteve em contacto com o
parasita toxoplasma gondii, tendo desenvolvido anticorpos para se proteger
(imunização). Se o resultado der negativo, será necessário adotar medidas de
prevenção para evitar a doença durante o período de gestação.
Para
além dos cuidados de higiene alimentar, uma das precauções importantes está
relacionada com os animais de estimação, em particular, os gatos. Não deve ser
a grávida a mudar a areia do animal durante este período, uma vez que as fezes
do gato podem ser um meio de infeção.
Os
produtos hortícolas e os frutos são essenciais na alimentação da grávida (ver
imagem), contribuindo com vitaminas, água e minerais, para além de constituírem
importantes fontes de fibra, que ajuda a prevenir a obstipação.
No
entanto, alimentos como a alface, a cenoura, a maçã, entre outros vegetais e
frutos, podem conter o parasita responsável pela toxoplasmose e constituir um
perigo se forem consumidos crus, sem terem sido devidamente desinfetados.
É
por isso que, como recomenda Maria Ana Carvalho, «todos os produtos hortícolas
e frutos que são consumidos crus devem ser lavados durante pelo menos 15
minutos com um produto apropriado para a lavagem de alimentos, que contenha um
pouco de lixívia». Se se sentir mais segura, pode optar por descascar
cuidadosamente os vegetais e a fruta crua.
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Os
ovos crus ou mal cozidos e os produtos que os contenham - como a mousse de
chocolate ou a maionese caseiras - podem causar intoxicações alimentares devido
à bactéria da Salmonella. Quando cozinhar ovos, certifique-se de que a gema e a
clara estão firmes e sólidas e, nas refeições fora de casa, opte por alimentos
que não contenham ovos crus.
Para
além dos ovos, a carne de aves, como o frango ou o peru, pode ser outro dos
meios de transmissão da Salmonella se estiver mal cozinhada. «A Salmonella está
muito associada à carne de aves e aos ovos, e é daí que surge a recomendação de
que as grávidas não devem pedir sobremesas feitas com ovos crus quando vão a um
restaurante. Não há problema com as sobremesas que tenham ovos cozinhados, mas
as sobremesas produzidas com ovos inteiros crus devem ser evitadas», aconselha
Maria Ana Carvalho.
O
consumo de refeições com longo tempo de prateleira é, segundo Maria Ana
Carvalho, a principal causa de listeriose – uma infeção provocada pela ingestão
de alimentos contaminados pela bactéria Listeria monocytogenes, que atinge em
especial os recém-nascidos, podendo provocar no bebé infeções oculares e
cutâneas, septicémias, entre outros problemas.
«Se
está grávida, deve evitar ao máximo alimentos confecionados com longo tempo de
prateleira. Fora de casa, em cadeias de restauração que vendam alimentos como
wraps, massas frescas, couscous, etc., deve rejeitar os alimentos que estejam
há mais de um dia na prateleira», recomenda a nutricionista.
Também
associados à Listeria, são de evitar os queijos de pasta mole como o brie, o
camembert, o mascarpone e outros queijos deste tipo. Apesar de ser uma infeção
rara, mesmo as formas mais ligeiras de Listeria podem provocar aborto ou morte
fetal. Os queijos de pasta semidura e dura podem ser consumidos, desde que
tenham sido produzidos com leite pasteurizado.
Há
alguns tipos de peixe e marisco que contêm níveis potencialmente perigosos de
metil-mercúrio - uma forma de mercúrio que pode causar danos no feto e
prejudicar o desenvolvimento do sistema nervoso do bebé.
De
acordo com Maria Ana Carvalho, uma vez que o consumo de peixe na gravidez é
muito importante, particularmente o de peixes gordos, pela riqueza em ómega 3,
a grávida deve dar prioridade aos peixes com menor teor de metil-mercúrio, mas
não deixar de incluir este pescado na sua alimentação.
«O
consumo de peixes gordos não é prejudicial, mas não deve exceder as duas vezes
por semana. Entre os peixes gordos, a grávida deve preferir aqueles que têm
menor teor de metil-mercúrio, como o salmão e a sardinha. O peixe-espada,
particularmente o peixe-espada preto e o atum, apresentam elevados teores de
metil-mercúrio e por isso devem ser evitados», esclarece. Quanto ao marisco,
quando cru, também deve ser evitado.
-
Exclua totalmente o álcool do seu dia-a-dia
-
Limite o consumo de cafeína a 200 mg por dia.
-
Reserve o consumo de alimentos açucarados para ocasiões especiais ou dias de
festa.
- Evite o consumo de
carne, peixe, ovos e marisco crus, incluindo o sushi.
-
Lave sempre os produtos hortícolas e a fruta durante pelo menos 15 minutos, com
um produto apropriado para os alimentos.
-
Rejeite os produtos de charcutaria e salsicharia que sejam fumados.
-
Recuse os alimentos com longo tempo de prateleira.
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