Saúde e Bem Estar
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Dor e desconforto no exercício: O que é normal e o que deve preocupar
12 Setembro 2019
A grande maioria das pequenas lesões ortopédicas ocorre de duas maneiras: através de uma pancada direta ou através de um “mau jeito” (vulgo entorse). Os entorses estão, assim, entre as patologias desportivas mais frequentes dos membros inferiores. Podem ocorrer durante o andar, durante uma corrida ou em qualquer atividade desportiva.
Mas o que é, afinal, um entorse?
Para explicar um entorse é necessário entender os três elementos principais de uma articulação. Todas as articulações do corpo têm a mestra estrutura: ossos, ligamentos e tendões. Na articulação existem dois ossos diferentes que se movimentam entre si. São revestidos por cartilagem, e mantêm o seu perfeito encaixe (denominada congruência) através de ligamentos e componentes que aumentam a sua perfeita adaptação, como os meniscos. Os ligamentos são pequenas “fitas” que estão lateralmente ao eixo de movimento e que garantem a ausência de movimentos anómalos. Quando eles se rompem há instabilidade. Os tendões são outras “fitas” que estão no prolongamento dos músculos e que provocam movimentos. São visíveis no dorso da mão enquanto movimentamos os dedos. Quando eles se rompem há perda de função e não é possível movimentar voluntariamente essa articulação.
Durante um entorse do joelho ou tornozelo há um movimento de força angular, uma torção, que força o afastamento dos dois ossos da articulação. Esta força pode provocar uma rotura dos ligamentos, uma rotura (habitualmente parcial) dos tendões ou, ainda, uma lesão dos meniscos ou cartilagem.

Porque é que é importante um atleta entender estes conceitos? Porque com esta pequena informação será possível analisar muitas das pequenas lesões que ocorrem durante a prática desportista e acompanhar o normal processo de cicatrização.
Se o atleta recebe uma pancada no joelho, e esta não é acompanhada de qualquer entorse, poderá deixar este processo resolver sozinho desde que tenha uma mobilidade normal e consiga andar normalmente. Pode treinar desde que as queixas sejam mínimas.
Se ocorrer um entorse ligeiro do joelho faz sentido interromper o treino desportivo durante alguns dias. Se, durante esses dias, a dor melhora e a mobilidade se recupera normalmente poder-se-á retomar a prática desportiva progressivamente, protegendo-a de novos entorses durante cerca de 6 semanas.
Se ocorrer um entorse grave do joelho, com um grande inchaço, dificuldades em andar e em mover o joelho, dever-se-á recorrer a um ortopedista. Ele avaliará os ossos (e cartilagem), ligamentos e meniscos.

Se ocorrer um entorse ligeiro do tornozelo, sem inchaço e sem dificuldade em andar normalmente, dever-se-á limitar a prática desportiva por cerca de 2 a 3 semanas. É o tempo necessário para a cicatrização de microrroturas dos ligamentos.
Se ocorrer um entorse grave do tornozelo, com inchaço, hematoma e dificuldade em andar normalmente dever-se-á recorrer a um ortopedista. Ele fará uma avaliação das estruturas ósseas (e cartilagem), ligamentos e tendões. Cerca de um terço de todos os doentes com um entorse grave do tornozelo tem queixas crónicas. É daqui que advém o mito urbano de que “um entorse é pior do que uma fractura”. A verdade, porém, é que uma fratura é uma lesão com muito maior destruição tecidular do que um entorse. A única coisa favorável numa fratura é o seu prognóstico: a cicatrização do osso, designada de “consolidação”, ocorre um 95% dos doentes; a cicatrização dos ligamentos do tornozelo ocorre em apenas 70%.
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