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Quais são os fatores de risco da doença coronária?
13 Fevereiro 2018
Existem diversos fatores que aumentam o risco do desenvolvimento da doença coronária. Alguns deles não podem ser modificados como é o caso da idade, o sexo, a predisposição genética ou a história familiar. Porém, subsistem também diversos fatores de risco relacionados com o estilo de vida que podem ser controlados para reduzir o risco da doença arterial coronária.
Conheça alguns exemplos dos fatores de risco para a doença coronária:
Tabagismo
Fumar aumenta exponencialmente o risco de padecer de uma doença cardiovascular. Não entanto, o risco de um enfarte do miocárdio diminui 50 por cento um ano após cessar o consumo de tabaco e é normalizado 2 anos depois de deixar de fumar.
Dislipidemia
Considerado um dos mais importantes fatores de risco da aterosclerose, a dislipidemia é um termo usado para designar todas as anomalias quantitativas ou qualitativas dos lípidos (gorduras) no sangue, podendo manifestar-se de várias formas:
- Por um aumento dos triglicéridos
- Por um aumento do colesterol;
- Por uma combinação dos dois fatores anteriores (dislipidemia mista)
- Por uma redução dos níveis de HDL (considerado o “bom” colesterol)
A dislipidemia representa um importante fator de risco cardiovascular, uma vez que a gordura acumulada nas paredes das artérias pode levar à obstrução parcial ou total do fluxo sanguíneo que chega ao coração e ao cérebro. A dislipidemia pode ser evitada através da prática de exercício físico e de uma alimentação equilibrada.
Hipertensão
Um doente que sofre de hipertensão apresenta um risco mais elevado de sofrer de uma doença arterial coronária.
Diabetes
Um nível elevado, persistente e descontrolado de açúcar no sangue é um factor de risco para o desenvolvimento da doença arterial coronária. Os diabéticos apresentam uma maior carga de outros fatores de risco comparativamente com os indivíduos não-diabéticos, sendo eles: a hipertensão, a obesidade, as dislipidemias, a hipertrigliceridemia e o fibrinogênio elevado. Embora seja dada muita atenção à hiperglicemia, os níveis baixos de glicose no plasma também podem estar associados a um risco aumentado, existindo, portanto, uma relação entre glicemia de jejum e a mortalidade.
Sedentarismo
O estilo de vida também influencia o desenvolvimento da aterosclerose. Uma dieta rica em calorias, gorduras saturadas e colesterol contribui para outros fatores de risco que predispõem não só à obesidade como à doença cardíaca coronária. Para contrariar o sedentarismo, a prática de exercício físico surge como uma solução que permite um efeito protetor contra a doença coronária.
Idade
Homens a partir dos 60 anos e mulheres a partir dos 65 anos apresentam um maior risco de desenvolver uma doença arterial coronária.
História familiar
A história familiar é um importante fator de risco de doença coronária, especialmente entre os indivíduos mais jovens com história familiar de doença prematura. A maioria dos estudos científicos considera como história familiar para a doença arterial coronária precoce quando esta afeta o pai antes dos 55 anos ou a mãe antes dos 65 anos. Doenças cardiovasculares nos irmãos também apresentam um risco aumentado.
Obesidade
A obesidade está associada a vários fatores de risco para o desenvolvimento das placas de aterosclerose (que impedem a passagem do sangue nas artérias), doença e mortalidade cardiovasculares, incluindo hipertensão, resistência à insulina e intolerância à glicose, hipertrigliceridemia, redução do HDL-colesterol e baixos níveis de adiponectina.
Síndrome metabólica
A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco, essencialmente cardiovasculares, que têm por base a obesidade abdominal. Esta patologia acarreta um risco significativamente elevado para o desenvolvimento da doença arterial coronária.
Doença renal crónica
A doença renal crónica, em todos os seus estados, incrementa o risco de desenvolver a doença coronária.
Fatores psicossociais
Os fatores psicossociais podem contribuir para o desenvolvimento precoce da aterosclerose, bem como a precipitação aguda do enfarte do miocárdio e morte súbita cardíaca. A ligação entre o stress psicológico e a aterosclerose pode ser tanto direto, através de lesão endotelial, como indireta, através de agravamento dos fatores de risco tradicionais, como o tabagismo, a hipertensão arterial e o metabolismo lipídico. Depressão, stress, raiva e outros fatores têm sido correlacionados com piores desfechos cardiovasculares.
Poluição
Estudos mostram uma relação entre a poluição atmosférica e a mortalidade cardiovascular e cardiopulmonar, apresentando um risco aumentado para o desenvolvimento de síndromes coronários agudos.
Apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva do sono está associada ao aumento do risco da doença arterial coronária, das arritmias cardíacas, da hipertensão arterial sistêmica e da hipertensão pulmonar.
Autor do artigo:
Dr. Luís Baquero, cirurgião cardiotorácico e Coordenador do Departamento de Circulação e Cirurgia Cardiotorácica do Hospital da Cruz Vermelha
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